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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

“Não me falta homem, o que me falta é amor.” (Marilyn Monroe)



Saiu para comprar sal. Nem sempre a doce vida é a melhor vida. Doce enjoa. O Sal dá sede. Sal deixa a gente vivo. Ele saiu para comprar sal. Deixou a casa acesa. A luz em cima da mesa. A busca é sempre a mesma: levar o sal pra casa, tempero de uma risada, graça até pro copo d´água, mas a sede é sempre vesga. Ele cruzou esquinas, cruzou os dedos, mal sabia. O sal era a ausência que ele deixava quando saía, era o frio de estar sozinho, o sal era só até a esquina, era ela sentir a falta um pouquinho. E ela sentiu. Por isso temperou os planos pro futuro com têmporas tensas e empolgadas. Visões um tanto salgadas, mão molhada, ela sob a luz daquela mesa. Esfomeada. Esperou. Mais um tanto de espera, mais um tanto de espera, mais um tanto de espera, mais um tanto de espera: ele não voltou. Pesou demais a mão no tempo e o tempero dessalgou. Ela escreveu na geladeira “o sal acabou”. E saiu pra comprar um doce, mas a busca é sempre por amor.

(Luciana Elaiuy)

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