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terça-feira, 19 de abril de 2011

Não te rendas...



Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos

Soltar o lastro,
Retomar o vôo.


Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.


Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.


Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,


Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.


Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo...

(Mario Benedetti)

 

**O poema acima é um canto pelo amor próprio e um dos mais belos legados líricos do escritor que faleceu no ano passado. É um mensagem de incentivo e superação, de companheirismo e paixão e, o melhor, sem ser nada piegas. Mario mantém a sensibilidade da mensagem com a racionalidade de quem precisa se erguer de uma situação ou, pelo menos, não cair de uma vez por todas e ele tem uma estilística muito particular, que conversa com a alma da gente; ele é Benedetti, único e, para sempre o expressivo escritor Latino Americano que conhece magistralmente a condição humana.

O título é de impacto: Não te rendas (título original, No te rindas) faz uma belíssima menção para que o fracasso e a derrota não sejam aceitos, ou melhor dizer: Não se submeta à passividade, seja resiliente em uma situação difícil. O poema clama por uma atitude positiva, pois ainda há tempo de reverter medo em coragem, abandono em amor, lágrimas em sorrisos. Existirão fases de dificuldades como os invernos da vida, a escuridão da solidão, mas serão somente fases. A alma cheia de sonhos ainda estará aqui.**
  

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