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terça-feira, 12 de julho de 2011

Do apagar de uma antiga chama

 
Procurei-me em teus olhos
E me vi...
Lânguida lembrança...
De antiga chama
Que se esvai.

Pela hora que se faz tardia...
E pelo novo lume
Que se depara diante de ti.

Doloroso se faz o morrer da esperança,
De um dia tocar
A materializada ilusão,
Amorosamente esculpida
Na mais sublime identificação.   

Talvez em teus olhos
Eu tenha visto...
Apenas um sonho de mim mesma.

Ou o espelhismo de outra...
Recém-chegada...
Tão em sigilo e extrema.
Tão sem medida
Densa e clandestina.

Talvez não seja...
E por ínfima tangente
Você aspire indefinido...
Um infinito de sonhos e de vidas.

Que ao menos nos versos então...
De viscidez e luz,
De nós dois.
Recrie-se nosso momento...
Esse enlace de danação e amor.

Que da desordem de dois encantamentos
Coabitem...
A luz e a sombra
A razão e a paixão
A lucidez e a loucura
A decepção e a ternura.

A poesia da vizinhança das aparências...
Cravada por esse meu sol de martírios
Tão triste e tão à vontade...

Como se meu corpo soubesse
Das sendas da sede
Por nascer sabe-dor(a)
Dos descaminhos do amor.

Apenas rogo...
Que nos areais da procura
Não te acometa
A ávida sede,
De dura saudade.
E saias à caça
De quem te amou.

Amor (talvez) ainda jazerá em mim
Em porões secretos...
A sete chaves,
Mas que em caminhos incertos
Podem ser furtadas.
Odisséia do NUNCA-MAIS.

(Juliana Alves)

Um comentário:

  1. Aqui é sempre tudo tão lindo!

    Têm um selinho no meu blog pra você!
    Passa lá!

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