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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Do que ainda não se pode explicar...

Acordar ao seu lado, esse eterno amanhecer por dentro, um sol interno tão aceso, essa alegria gratuita.
E existe algo em nós que é tão recíproco, cúmplice e intenso. 
Dos nossos olhares que dizem tanto sobre tudo, silenciosamente.
Um movimento de corpo que é tão ao encontro o tempo todo.
Da compreensão e paciência a que nos dedicamos diariamente. 
E o amor que permeia tanta poesia, e a poesia que se entrega inteira pras palavras que querem dizer do abraço. 
Seu corpo tão moldado ao meu, natureza líquida de água e jarro. 
Você me conduzindo à fonte de todas as coisas, lá onde o desejo se origina. 
E nada míngua com o passar do tempo e mesmo acreditando não ter mais espaço, cresce, flui, se imensa clareando o que era escuro e frio.
Cada vez mais e mais eu preciso dizer do amor. 
Dessa ternura delicada. 
Cada vez mais o amor sendo a melhor experiência. 
Cada vez mais eu percebendo que se nada no mundo é definitivo, nossa história eu sei perene. 
Uma primavera inaugurada a cada dia. 
E mesmo que nada possa ser eterno, mesmo que o "pra sempre" não exista, eu sei que vou seguir te amando, pelo menos, pelos próximos 99 invernos.

(E se ainda eu não consigo explicar você pra mim, eu simplesmente aceito e agradeço).

(Marla de Queiroz)

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