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terça-feira, 22 de novembro de 2011

"És presença. E mesmo quando és ausência, és muito mais do que saudade." (Caio Fernando Abreu)



Todos os dias, não sei ainda se a batalha é perdida (contra a saudade) ou vencida apesar dela... Como diria Humberto Gessinger: "É o fim do mundo todo dia da semana..." E eu queria saber o que escrever, como descrever o que aperta por dentro, e por vezes seca a nascente das palavras. 

E assim começo com um sopro, uma inspiração... A lembrança. O que ficou, eu que fiquei. Escrevo...

Além das vontades e da saudade que se acumulou sobre o silêncio desses dias, eu lhe digo: você faz falta... Falta do que sou quando estou contigo. De me saber mais quando está. Colo, abraço, cheiro, você...

Carinho no cabelo, no rosto, o cuidado comigo, meu mimo contigo. Do entrelaço das suas mãos a procura da outra parte que se encaixa. Do olhar candente, zelo recíproco, palavra sua. Sabor agridoce. Sensibilidade que se reveste em vestir azul do que fomos. Do deleite da maciez, do toque, do saber-se ali a qualquer hora, na urgência do matar a fome da presença...

A ausência sua ainda reflete nas partes que ficaram. No que foi vivido, sentido, falado, silenciado. Em nós. A poesia dos dois em um. Seu carinho e seus olhos que insistiam em entrar fundo nos meus. Reflexo, canção e o desejo de 'todas aquelas coisas boas'. Desejo sim, que nossas palavras possam somar doçuras e diluir o amargo que se fez desde então. Por isso, mesmo sem a inspiração do seu contato próximo, escrevo, rabisco essas mal traçadas linhas, pra não deixar nosso ideal se perder nas longas trilhas dessas estradas que nos separam....

Que você volte junto com a inteireza que sempre foi. Que a gente volte a ser dois. Um dia, no destino do querer de Deus...

Saiba moço: eu escrevo porque o incenso e os poemas primaveris tão nossos, amaciam ainda mais esse sentir. É quando me faço flor, lhe rego, lhe nutro e lhe acolho aqui. Dentro de mim...

(Juliana Alves)


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