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domingo, 13 de novembro de 2011

Muito prazer...


Eu não sou linear. Sou cheia de curvas e de becos... Cheia de ruas sem saída. Eu não sou uma pessoa terminada, ainda estou em fase de criação. Ainda estão, estou me aperfeiçoando, ainda posso ser melhor.

Eu existo, não sou produto. Nem tenho manual. Sou só coração. E sangue. E bato. E sangro. E como sangro! Não tenho começo. E não conheço meu fim. Sou só meio. Meio bonita, meio sincera, meio chata, meio ruim. E meio amor. A outra metade ainda é desconhecida.

Vivo aqui e ali, não vivo só em mim. Sou pedaços. E remendos. E feridas. Cheia de curativos. O mundo me parece eterno, mas todo dia se acaba um pouco, o que é tão muito, do legado corroído, do se perder do tempo que se faz escasso pro muito viver.

Sou beijos e abraços, risos e lágrimas. Quantas lágrimas! Sou vestidos, saltos - altos e em abismos, cabelo e maquiagem. Muita maquiagem. Sou quase mentira, mas sou de verdade.

Quis e quero. Mas não luto mais - não por ilusões, vivo apenas. Vivo uma vida que é minha, mas de outros também.

Quiseram decifrar-me, mas desistiram. Sou um dialeto antigo. Sou desconhecida... Sem tradução.

Minha vida é escrita. Eu a escrevo, para que outros leiam, devaneiem e apaguem. Sou reticências. Sou três pontos: sou o incompleto, o não-dito, o não-visto. Sou emoção. E ilusão. E tenho desejos. E como desejo! Sou prisão, e prisioneira das minhas próprias amarras, e das alheias, que nem me sabem a-prender.

As palavras a libertação. E me libertam. As palavras saem de mim, e eu que sou delas, me faço delas - em cada alelo um verso...
Todas juntas, são meu remédio... Meu coquetel, meu veneno. E meu antídoto. Anti-saudade. Anti-distâncias... Anti-solidão, anti-monotonia. Anti-ele. Anti-medo. Antídoto anti-todo amor que houve. Que não há. E se fazem também, nascente do rio, das águas do que há por vir...

(Juliana Alves)


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