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sexta-feira, 2 de março de 2012

Soneto do Tempo Perdido


Vai-se o tempo das cerejeiras rubras, doces,
obstinadas a avançar meu remanso adentro.
Velho tempo das noites arrebatadas em minha mente,
em que o sangue fluía silente, como o vento pelas frestas!

Tempo – senhor consonante das coisas vivas,
Do seu hálito fleumático aos confins do esquecimento...
Tempo – dos ensejos e das horas renunciadas
Ao ouro raro e inútil dum lamento...

O tempo, chaga pungente ainda exposta,
Coração palpitando sobre a lama - pranto dos desolados.
Tempo perdido, sangue derramado...

Resto de amor que se deixou no leito, do que ainda clama...
Horizonte de guerra atravessado, pelejado...
Pelo corpo audacioso duma chama, a queimar solitária.

(Juliana Alves)

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