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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"Que eu nunca seja seduzido pela desconfortável e rentável tarefa de me diminuir para caber em outros olhos." (João Pedro Pondé)


Andarilha de um coração deserto, menina que de tanto vagar, rastejou e cansou...
Curvou-se e comeu pó, secou até a última gota de seu brio e se viu esfarelada, caco corriqueiro sob o sapato tirano - opressor de sonhos, subjugador lustrado de hipocrisia cínica.
Mas a menina do peito aberto não esmoreceu. Aprendeu que um caminho reto tendo a luz como guia, muitas vezes traz mais surpresas que o mapa mais repleto de estradas. Que os ventos têm o dom mágico de carrear as mínimas partículas para outros mundos, outros encantos... Um grão arfado a outros solos, em outros climas, sob outras energias pode de grafite tornar-se diamante... 

Uma vez perdida, sem ar nem chão, cultivou asas, pena a (por) pena, e se deixou levar, aprendeu a voar e voltou a respirar – ar fresco, de rarefeito a asfixiar ao raro efeito de plena, livre e colorida borboletear, em nova vida ressurgiu...
Menina ruiva do sorriso aberto, agora versa e dança, alegra e encanta, sabe bem, que se pode voar pra que andar!? O céu não é mais seu limite, fundiu-se ao universo... Pois aprendeu que alma de luz não tem fronteira, agora ela é só horizonte.

 
(Juliana Alves)


 

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