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sábado, 20 de outubro de 2012

20 de Outubro - Dia do Poeta


Todo poeta tem que ter...

Ter um quê de incompletude, ser pedaço desgarrado do universo, que clama magneticamente por sua outra parte... que não se sabe o que ou onde está, por onde anda em ciclos infinitos a vagar. Para saber valorizar a completude das pequenas alegrias, dos pequenos momentos plenos que agregam real valor a vida.
 

  
Um quê de amor profundo, muitas vezes não correspondido, por amar o que nunca de fato conheceu ou existiu, e saber reconhecer e valorizar com os olhos do coração quando o lapso de uma alma incomum aos seus olhos corpóreos se apresentar.

Um quê de andarilho, errante pelos caminhos do pensamento e da vida, pelos labirintos do tempo e pela espera eterna do que nunca chega. Para saber que mais importante que o final da jornada, são as lições aprendidas na trajetória, e que quando sentir a paz em seu coração lhe dizer que é porto seguro de se ancorar, saiba ouvir e obedecer.


Um quê de tristeza, para saber-se sabe(dor) dos martírios da existência, e com conhecimento de causa poder extravazar-lhes da alma, transmitindo experiências, criando cenas, luzindo arte.


Um quê de incompreendido e transgressor, por ser revolucionário das leis e dos costumes, com sua arte libertadora das amarras da inquisição, onde a livre expressão dos sentimentos e ideias desvenda o coração e dissolve os limites da razão, devolvendo a lucidez da liberdade à alma antes cativa pelos limites do corpo.


Um quê de orgulho, pra não se dizer tolo, um total sensível e piegas, que no fundo rasgaria sua própria alma e daria de esmola aos outros. Negaria seus sentimentos e razão, abdicaria de toda riqueza e do trono majestoso da auto-consideração pelas causas perdidas: do amor, do perdão, da amizade e da caridade.


Um quê de loucura para manter aceso o fogo do sentir, mesmo que lhe doa, mesmo que lhe consuma, e das cinzas se faça a arte que vá engrandecer e ser admirada por outros, que nem ao menos sabem o quanto lhe custou, quanto sangue seu foi tinta da escrita com que suas almas se identificaram e seus corações agregaram para si.


Um quê de sabedoria, para reconhecer e admirar os detalhes da vida, as belezas escondidas nas facetas, até mesmo, das tristezas e misérias, e poder absorver, recriar, enaltecer e transmiti-las em forma de verdade, de sonhos a serem abraçados por quem a esperança já se esvaiu.


Um quê de altruísmo, para saber se doar até a última gota, de sangue, de lágrima, de inspiração, de tinta de uma caneta incansável, que transcreve emoções, belezas, amor, decepção, ternura e amargura, tudo com os fios-luz da poesia, sem perder o encanto e ter a certeza que não serão mais suas, serão dos outros... Propriedade adquirida sem nenhum custo, para dar nomes e feições ao que sentem e não conseguem falar ou calar.

E um quê daquela mesma esperança, dos outros perdida, recolhida e renovada pela sua fé inabalável, de que sua arte um dia seja valorizada e compreendida, abra a visão e invada o coração de muitos, plante a semente da motivação, e não seja ele só, a ser esse ser estranho no ninho desse incompreensível mundo dos sonhos mitigados.

(Juliana Alves)

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