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domingo, 4 de março de 2012

Demasiadamente humana...


Entre mim e mim... há vastidões imensas...
Para a navegação dos meus desejos afligidos ...
Descem pela água, minhas naves revestidas de espelhos...
Cada lâmina, arrisca um olhar... e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza...
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram...
Virei-me sobre a minha própria experiência... e contemplei-a.
Minha virtude erra essa errância por mares contraditórios...
e este abandono para além da felicidade e da beleza...
Ó Meu Deus, isto é minha alma...
Qualquer coisa que flutua sobre este corpo efemêro e precário.
Como o vento largo do oceano...
sobre essa areia passiva e inúmera...

(Cecília Meireles)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

De Longe Te Hei de Amar


De longe te hei de amar
- da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?

E, no fundo do mar,
a Estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.

(Cecília Meireles, in 'Canções')

domingo, 30 de outubro de 2011

Do que sou


Escreverás meu nome com todas as letras, 
com todas as datas
—  e não serei eu.


Repetirás o que me ouviste,
o que leste de mim, e mostrarás meu retrato
— e nada disso serei eu.

Dirás coisas imaginárias,
invenções sutis, engenhosas teorias

— e continuarei ausente.

Somos uma difícil unidade,
de muitos instantes mínimos
—  isso serei eu.

Mil fragmentos somos, em jogo misterioso,
aproximamo-nos e afastamo-nos, eternamente.
— Como me poderão encontrar?

Novos e antigos todos os dias,
transparentes e opacos, segundo o giro da luz

— 
nós mesmos nos procuramos.

E por entre as circunstâncias fluímos,
leves e livres como a cascata pelas pedras.
—  Que mortal nos poderia prender?


(Cecília Meireles)

 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

...por desfolhar-me é que não tenho fim.

"Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando
por desfolhar-me é que não tenho fim."

(Cecília Meireles)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Lua Adversa




Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,

Fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!  
Perdição da vida minha!  
Tenho fases de ser tua,  
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário  
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
 

Não me encontro com ninguém  
(tenho fases como a lua...)  
No dia de alguém ser meu  
não é dia de eu ser sua...  
E, quando chega esse dia,  
o outro desapareceu... 

(Cecília Meireles)

domingo, 16 de janeiro de 2011

"Serei leve e vaga... Como o que se sente e não se entende... (Clarice Lispector)



"Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste,
acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.
Isso me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda a minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo que sou,
como se nunca me tivessem encontrado."


(Cecília Meireles)

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...