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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Quando acordei poesia...

 
"Quando acordei Poesia, acendi um punhado de tarde. 
Risquei infinitos na parede dos sonhos. 
Libertei dilúvios. Fiz sentido. (...) 
Chorei um amor e acalmei milagres. 
Oscilei sobre as nuvens e o ocaso. 
Abasteci o coração com quase cem mil pássaros.
 Por acaso, fiquei eterna."

(Priscila Rôde)

domingo, 18 de março de 2012

Ad Infinitum

 
Estávamos protegidos. Alinhados. Demorávamos na vida e no riso. Vivíamos entre nós distantes, um ao lado do outro. 
Fomos, só até a página dois (e a alegria foi quase um susto). 
Nos desencontramos dentro dos números, silêncios e verbos.
Rasguei todos. Ele, tinha que tudo. 
Eu, queria que esse tudo se resumisse à minha vontade de felicidade. Nada (re)feito. É que quando sobra história, o que falta é sentimento. Faltei. Faltamos. Coração é estrada que devolve caminhos. É casa. Asa. Labirinto. O meu, poesia, nasceu com um quê de ad infinitum. E precisa saber de mim desarmada, noutro abraço, noutro mundo - até que durem as letras, os tempos e os versos.

(Priscila Rôde)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Então, cuide bem de você...


 
Do que você sente, do que você faz, do que você vê e agrega. 
Cuide dos seus, avalie a sua importância. 
Tome conta de si, reajuste – se, pergunte - se. 
Inclua o necessário, desligue o menos importante. 
Abra mão quando for preciso. 
Aumente a beleza do verbo permanecer. 
Descuidos são nocivos.
Ligeirezas arranham.

(Priscila Rôde)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cuido...

 
"Cuido desse instante para que os sorrisos, os nossos, de um jeito ou de outro, se alarguem. Cuido pelo simples cansaço, contundente, que permeia essa tentativa. Cuido de nós pelo simples hábito de amar nossos horários vagos juntos novamente. Cuido da palavra e dessa verdadeira sensação de que algumas coisas não foram feitas de eternidades. Cuido e descanso. Não quero mais desbravar novos mundos nem estipular novos medos. Quero olhar nos olhos e sorrir fácil, só isso, e se sobrar um pouco de tempo, permaneço."

(Priscila Rôde) 

domingo, 16 de outubro de 2011

Sobre o cuidado

Eu vi: cuidado é um presente. Dádiva. Zelo. O encontro de duas almas, uma disposta e uma outra nem tão entregue, nem tão liberta, mas muito precisa. Cuidado é um alongar de brechas, um olhar que repousa, um abraço que descansa, uma noite mal dormida. Uma palavra muda que esgarça o seu bordado de silêncio mais compreensivo e revelador. Um nó na garganta caindo por terra. Uma mão aniquilando ansiedades.
Não estou falando daquele cuidado enfeitado, planejado, cheio de compromissos. Não estou falando daquele cuidado matemático que calcula os nossos pontos fracos, que nos conta a demora desse estar-dentro-do-outro. Estou falando do cuidado que é próprio, sem tantas ideias, que corre à frente dos relógios, daquele que rompe a nossa preguiça. Estou falando de um cuidado que não anuncia a sua valentia e busca - e que não é menos forte por isso.
E penso, no cuidado que não nasce com algumas gentes. No cuidado que em muitos, é lacuna. Penso no cuidado estreitado, raro, nunca vivenciado. No cuidado que não se mostra, tampouco se despe para os seus escolhidos. É que, assim como o amor, o cuidado só corre bem quando é entrega, quando é o outro dentro da gente, quando é a possibilidade de uma calmaria, uma intuição bem resolvida, um esclarecimento.
Cuidado não é uma tentativa. Não é uma válvula de escape. Cuidado é poesia pronta que nos conta novas saídas. É inaugurar sóis dentro do outro em dias feitos de chuva. Dispensando a avareza no partilhar dos naufrágios já acalmados, cuidar é ofertar ao outro um barco nunca antes usado, um abraço nunca antes pertencido.

Cuidado é recomeço para dois ou mais sorrisos.

(Priscila Rôde)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Antes do Próximo Passo



Quero, antes do próximo passo, a possibilidade do encontro. A calma e a certeza da resposta que transborda novos segundos. Quero a delicadeza de quem partilha e enxerga com olhos determinados a tristeza do outro e que ela, quando muito doída, possa morrer dentro da minha alegria. Quero alguém que não desista de mim nem de tudo tão fácil. Quero ter o sorriso de quem distribui um amor levemente desembrulhado, um presente que não embaraça laços, feito para afrouxar o abraço. E quero os sabores urgentes, dos momentos que amaciam essas andanças e liquefazem o rancor das lágrimas mais resistentes.

Quero, antes do próximo passo, a possibilidade da prece. O silêncio com os joelhos dobrados, a fé removendo montanhas e a vida colocando outras tantas pertinho da gente, para garantir a experiência do tropeço, para redescobrir com quanto dessa nossa fé se faz um bom tempo. Quero, sem susto, acreditar nas simplicidades que umedecem os olhos, na sutileza dos risos inacabados. Quero me reconhecer no recomeço e que nele, risonho, o melhor de mim nunca acabe.

Quero, antes do próximo passo, a possibilidade de desvendar o que nos separa. O tamanho dessa lonjura que não acaba. A saudade de quem lembra com amor a vontade de driblar esses ventos de acasos que, às vezes, leva o mais perto para tão longe. Quero a nobreza dos detalhes aperfeiçoados e esses fios de sonhos bordando as almas desaprendidas. Quero contar com a pluralidade dos gestos e a singularidade dos jeitos. Quero entender a aceitação que antecede o esquecimento e quero as memórias todas acesas aquecendo os dias de pouca estrada no meu caminho.

E quero, antes do próximo passo, o frescor dos milagres que alongam a nossa esperança insistente. Quero a conversa dura rindo com a gente. A despreocupação de quem sabe recomeçar quando o mundo finaliza, com ligeireza, a poesia restante. 

(Priscila Rôde)

sábado, 28 de maio de 2011

"Não tenho paredes, só tenho horizontes!" (Mário Quintana)



"Já não sou o mesmo caminho esperando numa demora, horizontes.
Sou só uma vontade boba invadindo o abraço,
deixando na boca um coração que não sabe amar superfícies."

(Priscila Rôde)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

“Com as perdas só há um jeito: perdê-las.” (Lya Luft in: Para não dizer adeus)



Sol que se fez chuva dentro de mim. Brisa que me desperta como uma ventania pronta pra despentear meus cabelos, acalma–me o coração. Ainda é cedo, o dia permanece escuro, o sol ainda descansa. O hoje chegou ligeiramente, sentou–se ao meu lado e eu ainda teria que esperar o sol dar graça ao dia, aquecer a alma, aquecer a vida. Lá fora, vento. Alguns ainda conversam sobre a noite passada, a ilusão que viveram ainda está acordada e só adormecerá depois de uma xícara de café fortíssimo. Meu estômago vive de perto o vazio dos dias. Nada cabe em mim, nem dentro nem fora, só ao lado e bem distante. Visto o meu melhor beijo, o meu melhor sorriso. Visto a minha solidão, faço–a minha válvula de escape e caminho de encontro ao fim, falta pouco. Deixo as ondas baterem nas pedras, ondas que trazem o passado junto às conchas e que embora grande seja o peso, me acarinham o espírito. Contemplo a minha alma refletida na areia, criando contraste com a água límpida que toca meus pés. Cheguei ao fim, minhas pernas estão cansadas e o meu coração repleto de satisfação – sozinho. E como se não me bastasse estar plena de tudo, comigo mesma e apenas, reencontro o mar que testemunhou o meu maior contentamento. Me transporto pra você novamente numa tentativa quase estúpida de tirá–lo da mente. Um passado abraçado ao presente, um segundo suplicando certezas e eu me dispensei de qualquer loucura que me envolvesse novamente naqueles braços. O amor te deixava mais gentil, sua alma saltava dos olhos e corria de encontro aos meus cabelos, a minha alma. Seria perfeito se não fosse humano, se eu não te amasse assim tão humanamente sem medida, irremediável. A música toca suave, deita na minha alma dançante. Você era a plenitude dos meus dias exaustos e repletos de tanta razão, mas, nada coopera com a onda do amor quando o amor não se permite ser onda e nada colaborou pra que eu permanecesse fora de mim, dentro de ti – navegando. E ainda que eu sinta você beijar minha ilusão enquanto deito na areia, é tolice acreditar no meu jeito desumano de roubar do outro o que nunca coube em mim. Nasci pra absorver a vida enquanto a fonte se mantém inesgotável, não nasci pra transbordar um viver que não é meu. Enquanto ao amor, eu escrevo–o e apago. Navego de volta ao meu ponto de partida. Despida, caminho e vivo num indo e vindo infinito de amar você. Que o mar me confie o prazer de pertencer apenas à palavra viva, a vida que vivo e amo enquanto a razão adormece, enquanto o nosso amor padece, enquanto eu finjo escrever o que minha poesia carece: você!


(Priscila Rôde)

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...