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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Dos Desejos

"Rever o passado, olhar com olhos calmos pro meu presente e fazer o possível para não ficar pensando no futuro – ao menos nesse futuro daqui alguns anos que ninguém na verdade sabe se chegará. 
Fecho os olhos e começo a pedir. Não são coisas muito complicadas de serem atendidas. Ao menos eu acho que não. Apenas me concentro em cada rosto que já conheci até hoje e nos sentimentos que tenho por cada uma dessas pessoas. 
Que não nos faltem bons sentimentos sejam no Natal ou em qualquer dia do Ano Novo que se aproxima. Que nos falte egoísmo. Que nos sobre paciência pra enfrentar mais trezentos e sessenta e cinco – ou seria trezentos e sessenta e seis? – dias. 
Que sejamos capazes de enxergar algo de bom em cada momento ruim que nos acontecer. Que não nos falte esperança. Que novos amigos cheguem. Que antigos amigos sejam reencontrados. Que cada caminho escolhido nos reserve boas surpresas. 
Que músicas de letras e melodias bonitas nos façam suspirar. Que a cada sorriso que uma criança der nos faça ter um bom dia e enxergar uma nova esperança. Que nos sobre tempo para beber e conversar com os amigos. Que cada um de nós saiba ouvir cada conselho dado por uma pessoa mais velha. 
Que não nos falte vontade de sorrir apesar dos pesares. Que sejamos leves. Que sejamos livres de preconceitos. Que nenhum de nós se esqueça da força que possui. Que não nos falte fé e amor."

(Caio Fernando de Abreu)
 

domingo, 7 de outubro de 2012

O que eu posso fazer, se sou uma mulher com um coração de menina!?


"Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, 
 eu tiro um arco-íris da cartola. 
E refaço. Colo. Pinto e bordo. 
Porque a força de dentro é maior. 
Maior que todo mal que existe no mundo. 
Maior que todos os ventos contrários. 
É maior porque é do bem. 
E nisso, sim, acredito até o fim. 
O destino da felicidade, me foi traçado no berço"

(Caio Fernando Abreu)

domingo, 8 de janeiro de 2012


"Me arrisco a dizer que relacionamentos à distância são mais fortes que todos. A saudade aperta, as horas não passam, o telefone parece insuficiente e o coração quase desiste. Mas quando se reencontram é como se nada importasse mais do que aquele momento. É como se todos abraços e beijos do mundo não fossem suficientes. É como se a saudade inundasse no peito e transbordasse em alegria. Ficar juntos é a recompensa por aguentar tanto tempo separados."

(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"És presença. E mesmo quando és ausência, és muito mais do que saudade." (Caio Fernando Abreu)



Todos os dias, não sei ainda se a batalha é perdida (contra a saudade) ou vencida apesar dela... Como diria Humberto Gessinger: "É o fim do mundo todo dia da semana..." E eu queria saber o que escrever, como descrever o que aperta por dentro, e por vezes seca a nascente das palavras. 

E assim começo com um sopro, uma inspiração... A lembrança. O que ficou, eu que fiquei. Escrevo...

Além das vontades e da saudade que se acumulou sobre o silêncio desses dias, eu lhe digo: você faz falta... Falta do que sou quando estou contigo. De me saber mais quando está. Colo, abraço, cheiro, você...

Carinho no cabelo, no rosto, o cuidado comigo, meu mimo contigo. Do entrelaço das suas mãos a procura da outra parte que se encaixa. Do olhar candente, zelo recíproco, palavra sua. Sabor agridoce. Sensibilidade que se reveste em vestir azul do que fomos. Do deleite da maciez, do toque, do saber-se ali a qualquer hora, na urgência do matar a fome da presença...

A ausência sua ainda reflete nas partes que ficaram. No que foi vivido, sentido, falado, silenciado. Em nós. A poesia dos dois em um. Seu carinho e seus olhos que insistiam em entrar fundo nos meus. Reflexo, canção e o desejo de 'todas aquelas coisas boas'. Desejo sim, que nossas palavras possam somar doçuras e diluir o amargo que se fez desde então. Por isso, mesmo sem a inspiração do seu contato próximo, escrevo, rabisco essas mal traçadas linhas, pra não deixar nosso ideal se perder nas longas trilhas dessas estradas que nos separam....

Que você volte junto com a inteireza que sempre foi. Que a gente volte a ser dois. Um dia, no destino do querer de Deus...

Saiba moço: eu escrevo porque o incenso e os poemas primaveris tão nossos, amaciam ainda mais esse sentir. É quando me faço flor, lhe rego, lhe nutro e lhe acolho aqui. Dentro de mim...

(Juliana Alves)


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mudanças...


"Uma alma cheia de luz, pronta pra explodir fogos de artifício numa noite de lua cheia.
A fé pendurada no pescoço.
Fita do Bonfim no tornozelo.
Barra da saia carregada de esperanças, nos olhos a cor da paz tão esperada.

Estende os braços pra sentir vento.
Um abraço de esculpir sorrisos.
Um sentimento faz claridade nos olhos até a pupila parecer arco-íris.
Suspiro.
É mudança. Muitas, vês? Já escolhi o destino."

(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Perdida de Amor, de Talento e de Loucura..." (Caio Fernando Abreu)



Amor quando se enferma,
Faz da alma um inferno...
E no coração instaura um inverno...

É caminho sem volta...
Sentimento de ninguém...
Paira a esmo
E faz de sua morada,
Recôndito escuro sem luz, nem paz...

Vive da loucura,
sem despertar ternura...
Culpa minha? Culpa sua!

Que me manteve cativa,
Escrava nativa...
De promessas vazias
Do seu bem-querer.

E agora o que eu faço,
Com esse embaraço que me restou?

Estou perdida sem sol, sem lua...
Com a alma crua...
De Insípida Inspiração.
E um diamante negro...
No lugar do coração.

(Juliana Alves)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Não te negues, minha sede é clara!




"Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. "

(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não, eu não estou à venda!



"Então, não perca seu tempo comigo...
Eu não sou um corpo que você achou na noite.
Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer.
Eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro.
Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. 
Das suas mãos quentes.
Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro...
Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar.
Mas uma coisa, eu exijo: quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma!
Às vezes, mais alma... Às vezes, mais corpo...
Mas, por favor, não me apareça pela metade. 
Não me venha com falsas promessas.
Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda!
Eu não quero saber onde você mora, 
desde que você saiba o caminho da minha casa.
Eu não quero saber quanto você ganha, quero saber se você ganha o dia quando está comigo!"

(Caio Fernando Abreu)

sábado, 30 de abril de 2011

"Tenho dias lindos, mesmo quietinhos..." (Caio Fernando Abreu)


"Quando a minha mente está calma, eu acesso uma confiança que é descanso e proteção. Uma fé genuína na preciosidade da vida. Sinto que tudo em mim se reorganiza, silenciosamente, o tempo todo. Que isso tem mais a ver com o meu olhar, com a natureza das sementes que rego, do que eu possa perceber. Minha expectativa, tantas vezes ansiosa, de que as coisas sejam diferentes, dá lugar à certeza tranqüila de que, naquele momento, tudo está onde pode estar. Em vez de sofrer pelas modificações que ainda não consigo, eu me sinto grata pelas mudanças que já realizei. E relaxo.
 
Quando a minha mente está calma, eu acesso uma clareza que me permite sentir, com mais nitidez, que há uma sabedoria que abraça todas as coisas. Que o tempo tem uma habilidade singular para reinventar nosso roteiro com a gente, toda vez que redefinimos o que, de verdade, nos importa. Que há um contentamento perene no nosso coração. Um espaço de alimento amoroso. Uma fonte que buscamos raras vezes, acostumados a imaginar a felicidade somente fora de nós e a deslocá-la para distâncias onde não estamos.

Quando a minha mente está calma, os sentidos se expandem e me permitem refinar sensações e sentimentos. Posso saborear mais detalhes do banquete que está sempre disponível, mesmo quando eu não o percebo. Nesse lugar de calma e clareza, não há nada a desejar. Nada a esperar. Nada a buscar. Nenhum lugar onde ir. Eu me sinto sentada sob a sombra de uma árvore generosa, numa tarde azul sem pressa, os pássaros bordando o céu com o seu balé harmonioso. O meu coração é pleno, nenhuma fome. Plenitude não é extensão nem permanência: é quando a vida cabe no instante presente, sem aperto, e a gente desfruta o conforto de não sentir falta de nada."

(Ana Jácomo)

quarta-feira, 20 de abril de 2011


"Preciso muito que alguma coisa muito muito boa aconteça na minha vida... alguma coisa, alguma pessoa. 
Acho que tenho medo de não conseguir deixar que o passado seja passado, de aceitar verdades pela metade, de viver de ilusão! 
Eu preciso muito muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor.
Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, 
mas que seja novo, nem que sejam os problemas. 
Preciso abandonar essa "mania de passado"; retirar os entulhos, deixar a casa vazia para receber nova mobilia! 
Fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração! 
Demolir as ruinas e contruir qualquer coisa nova, 
quem sabe um castelo!"


(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 19 de abril de 2011

"Quem acredita sabe encontrar... Não garanto que foi feliz para sempre, mas o sorriso (...) era lindo quando pensou todas essas coisas..." (Caio Fernando Abreu)



Ando com tanta vontade de ser feliz
Aprendi que a gente não se deve acostumar com a dor,
a gente até pode, mas não deve. 
Como outras coisas nessa vida:
Aprendi que o primeiro clarão do sol

faz as sereias irem de volta pra casa.
E que ficar de mal dura apenas até a vontade de riso.
Que saudade é um aperto bem no meio do seu sossego.
E abraço é também morada pro coração.
Que carregar sonhos faz bem pra gente, 
mas que se esquecê-los, acontecem mais rápido.
Que um sopro não apaga só uma vela. 
Um sopro reacende o que for pra ficar.
Que coisas pequenas ficam grandes quando olhadas com olhos de dentro.
Que sentir pouco é muito e que uma pessoa,
só uma pessoa no meio de bilhões, muda tudo.
Vou plantar um pé de bolha de sabão no meu quintal,
Pra levar esse mundo dentro de uma bolha
Ou então sair por ai flutuando levinho...


(Vanessa Leonardi)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Então, que seja doce!


"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias. Bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo.
Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce, e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.
Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar ao telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão.
Que seja doce. Que sejamos doce. E seremos, eu sei.

(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cuidado... ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno...



Você me provoca, você me perturba.
Joga água e sai correndo.
Atira a pedra e me acerta de raspão.
Me espia no escuro e mostra a língua.
Me xinga. Me atiça.
Invade o meu sossego. Meu refúgio.

Pisa no meu ninho com os sapatos sujos. Na minha toca.
Sem saber o meu tamanho, até onde vai meu bote, você me provoca achando que não há perigo.
Sem conhecer a força da minha mordida, o tamanho dos caninos.
Você me provoca sem esperar a picada.

Sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno.

 
(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 29 de março de 2011

Não foi nada. Deu saudade, só isso. De repente, me deu tanta saudade...





...e me dá uma saudade irracional de você... 

...Toda minha saudade e meu amor de sempre... 
 

(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sonha que é de graça...




"Vai, esquece do mundo. 
Molha os pés na poça. 
Mergulha no que te dá vontade.

Que a vida não espera por você. 

Abraça o que te faz sorrir. 

Sonha que é de graça." 


(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Hoje...




"Hoje, quero passar 

dos limites da aparência

e achar o que há 

de mais lindo no coração."


(Caio Fernando Abreu)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Amor Sem Esforço



Seria bacana se a gente pudesse dissolver a ilusão de que para sermos amados temos que ser outros que não nos habitam. Outros que não somos. Outros que, no fundo, não podemos ser, mas também não precisamos. Ter outras caras. Outros corpos. Outros gostos. Outros sonhos. Outros jeitos. É inútil qualquer esforço de tentar caber onde o nosso coração não está. Onde ele não pode nadar livremente, no tempo e no ritmo das próprias braçadas, aproveitando, feliz, o contato com a vida. Há um desperdício imenso de energia nessa história. É tenso demais viver para agradar, em troca de pertencimento, reconhecimento, alguma afeição. Maquiar as emoções, boicotar a própria essência, trocar a luz natural por luminárias artificiais, bolar planos fantásticos para chegar ao coração de quem quer que seja. Cansa, só de imaginar.

Além de inútil, é perigoso. Perigoso porque dói, mesmo quando faz aumentar nossos índices de popularidade. Nosso catálogo de endereços eletrônicos. Nossas referências no caderno de telefones. Nossa lista de contatos do celular. Perigoso porque requer de nós muito malabarismo emocional para não trairmos as personagens que criamos para atender as demandas alheias. É trabalhoso demais tentar ser o que não se é. Exaustivo. Drenagem pura. E, no fim das contas, o que buscam essas pessoas que queremos que nos amem? Procuram por nós ou pelas pessoas que tentamos parecer? Por nós ou pelas pessoas que querem que sejamos? Se não for por nós, não tem importância alguma. A leveza escoa, assustada, ralo afora. Se não for por nós, não é de verdade.
De vez em quando nós lembramos para, em geral, esquecer outra vez pouco depois: o amor não pede esforço. O amor acontece. Somos amados assim do nosso jeito. Assim do nosso tamanho. Assim do nosso lugar. Somos amados como somos, já preciosos. Isso é de uma liberdade que raramente sentimos ser capazes. As pessoas mais interessantes que conheço não fazem sacrifícios para ser amadas. São do jeito delas. Se são amadas, maravilha. Se não, vida que segue, mais a frente os encontros virão e é bem provável que tenham mais a ver com elas. A diferença que conta é que, à parte o amor que possam receber, elas são amadas por elas mesmas. Estão confortáveis por ser como dá pra ser a cada instante.

São pessoas que não querem mostrar nada além da espontaneidade que já conseguem. Não querem caber onde lhes falta espaço. Não têm a pretensão de ter montes de amigos: se tiverem um, capaz de amá-las, de verdade, já estão no lucro. Querem amar e ser amadas, sim, desde que cada pessoa tenha liberdade para ser. Nadam no ritmo delas, no tempo delas, nesse mar de águas tantas vezes turbulentas da vida. E consideram cada braçada uma vitória. Uma possibilidade de encontro. Se não acontecer, vez ou outra, continuam contando com o próprio pertencimento. O próprio reconhecimento. A própria afeição.

(Ana Jácomo)


*** Ah, se todos aprendessem que é assim que se ama e é amado, o mundo seria tão menos complicado, menos triste, dispendioso e frustrante. Muito mais alegre, grandioso e autêntico.***


"Não adianta muito você se enfeitar todo pra uma pessoa gostar mais de você. Porque, se ela gostar, vai gostar de qualquer jeito, do jeito que você é mesmo, sem brilhos falsos."

(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Porque hoje é hoje; e amanhã, amanhã ninguém sabe...


'Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão. Com tantos sentimentos arrumados cuidadosamente na prateleira de cima, tinha de ser justo amor, meudeus?

Porque quando fecho os olhos, é você quem vejo; aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo o que era em parte, abrindo todas as janelas para um mundo deserto de nós dois. É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, abre potes, inventa histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor onde todos os túneis são começos de qualquer coisa feliz, de leve, de azul, de puro e de meu.


Não, não me fale em medo, paciência, tempo que vai chegar. Não volte dois espaços, não negue, apareça. Sou vírgulas, você é lacunas. "Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?" É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar serena. É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito, preparar uma massa e cantar as velhas canções. Não posso esperar. Tenho a mesa posta, toalhas brancas, ombros moles e uma alma que só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem ideias, sem voz, sem sentido. Com uma única certeza.


É preciso que você venha. É preciso que você venha nesse exato instante. Agora que não há conceitos e os nomes ainda são desprezíveis. Venha e escreva uma longa e cafona novela mexicana, com laquê nas expressões. Rime prazer com agonia, grafite paredes com os clichês dos amantes, acorde dentro de mim, lamba pernas com seus cabelos lisos e reais. É tudo um vazio cheio de portas, com caminhos confusos e simples que levam ao único lugar possível a quem ousa chamar de amor o que não deveria ter nome: o desconhecido. Seja forte. Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto, cuja estrada embriaga até mesmo quem tem passos firmes e sabe fazer o quatro. Esqueça os on-the-rocks. Seja cowboy, macho, gente, animal, mistério, doçura, pegação. Abandone os antes. Meu nome é já e nossos pés paralelos se tocam no finito. Chame do que quiser. Mas venha.


Preciso dizer-lhe o que você talvez ainda não saiba: existem lobisomens que comem flores. Você sabia que existem lobisomens que comem flores? Você sabia disso, meubem? Daqui quase posso vê-lo, no meio de um grande corredor colorido. Buganvílias, rosas, cravos, azaléias, orquídeas, gérberas, gerânios. Não sei suas preferidas, mas percebo uma sutileza no ar. Médico e monstro, dor e riso, o impossível e o real. Opostos quase palpáveis, fechando metades, descobrindo o mundo, abrindo clareiras no matagal das emoções. Você sabia que o impossível mora no nosso quintal? Você sabia que os galos cantam, todos os dias, para que a coragem desperte e Deus renove sua misericórdia sobre todos os que pecam. Qual é seu maior pecado, meubem?

Hoje sou luxúria. Espero mãos pesadas, ópio na veia, sol de giz riscado no chão. Quero dividir meus erros, arrancar minha loucura, arrastar cabelo aos seus pés. Não cale. Entregue, a pele. Posso descobrir mazelas escondidas e transformar seu corpo em juízo final. Marque o x e verá uma fila inesgostável de possibilidades adormecidas estendidas no seu varal. Seja. Porque estamos tão perto e tão longe e claro e cheios e inertes e ofegantes. Sou o chá, o veneno, a cura, a espera, a certeza, o presente, a solução. Reconheço enganos. E o meu medo é do seu medo de ter medo. Porque não quero amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão. Quero o que é e não tem muro. Escolhi o amor da prateleira e aprendi a só entender o sim. Se o seu modo é não, vá embora. Não olhe para trás. Renego estátuas de sal e abomino divisões. Se é para pular, que seja já. Porque hoje é hoje; e amanhã, amanhã ninguém sabe.'
 
(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 2 de março de 2011

"Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras; e por tudo isso, ando cada vez mais só..." (Caio Fernando Abreu)




ENFADO

Cansado desses versos enfadonhos,
dessa gente que precisa rodopiar a cidade inteira
procurando vaguidão àquilo que é simples e coeso.
Nego-me a aceitar a dificuldade, 

a extensão de algo que pode ser descrito em um verso.
Não direi mais de subjetividades, não as usarei inclusive, 

os sentimentos são claros, 
lê-los é tarefa que cabe a nós fazer e conseguir.
Se dize amor, amor é o que sente e diga-o: amor.
Se dize paixão, paixão é o que o incomoda, então sinta-a: paixão.
Se prefere concupiscência, não há problema,
abaixe as calças, onanismos mil e faça-a: concupiscência.
Não se perca nas teorias bobas dum céu que te comove.
O céu serve como ponte para o entendimento,
às certezas que retiramos do que já nos é intrínseco.


Diz tudo o que quer, diz da vontade concomitante,
mas não rodopie:
Se for apontar a arma, puxe o gatilho.


(Marcelo R. Rezende)

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...