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sábado, 19 de novembro de 2011

Fumo


 
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

(Florbela Espanca)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Fanatismo


 
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah!  Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."
 
(Florbela Espanca)

terça-feira, 29 de março de 2011

Saudades...


Saudades! Sim... Talvez... e porque não?... 
Se o nosso sonho foi tão alto e forte. 
Que bem pensara vê-lo até à morte. 
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! 
Que tudo isso, Amor, nos não importe. 
Se ele deixou beleza que conforte. 
Deve-nos ser sagrado como o pão! 
Quantas vezes, Amor, já te esqueci, 
Para mais doidamente me lembrar, 
Mais doidamente me lembrar de ti! 
E quem dera que fosse sempre assim: 
Quanto menos quisesse recordar. 
Mais a saudade andasse presa a mim!

(Florbela Espanca)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Do que gosto...



"Gosto das belas coisas claras e simples,
das grandes ternuras perfeitas, 

das doces compreensões silenciosas, 
gosto de tudo, enfim,
onde encontro um pouco de Beleza e de Verdade...
Porque há ainda no mundo, graças a Deus, almas-astros
onde eu gosto de me refletir, 

almas de sinceridade e de pureza 
sobre as quais adoro debruçar a minha."


(Florbela Espanca)

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...