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quinta-feira, 8 de março de 2012

O amor não acaba, nós é que mudamos


Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.


Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.


O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

(Martha Medeiros)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eu, modo de usar



Pode invadir ou chegar com delicadeza,
mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.
Acordo pela manhã com ótimo humor mas...
Permita que eu escove os dentes primeiro.
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos  
e minta sobre minha nocauteante beleza.

Tenho vida própria, me faça sentir saudades,
conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas 
e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. 
Viaje antes de me conhecer, 
sofra antes de mim para reconhecer-me um porto,
um albergue da juventude. 
Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, 
elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro, me deixe sózinha, 
só volte quando eu chamar e,
não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. 
( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).

Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem... Gosto de camisa para fora da calça,
gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. 
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto:
boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado,
você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.

Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, 
não de boate que isto é coisa de gente triste.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. 
Escolha um papel para você que ainda não
tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, 
uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: 
loba, boba, rouca, boca...
Goste de música e de sexo. 
Goste de um esporte não muito banal.
Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa,
apresentar sua familia... Isso a gente vê depois ... se calhar ...
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora.

Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres,
tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Não me conte seus segredos... Me faça massagem nas costas.
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte!

Se nada disso funcionar ... 
Experimente me amar! 

 (Martha Medeiros)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Strip-tease da alma




"Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade - emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente. Muito mais intenso é assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história.
É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos - aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana. Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expôr nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro.
Não conheço strip-tease mais sedutor."


(Martha Medeiros)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Raça dos Desassossegados



À raça dos desassossegados pertencemos todos, negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, desde que tenhamos como característica desta raça comum, a inquietação que nos torna insuportavelmente exigentes com a gente mesmo e a ambição de vencer não os jogos, mas o tempo, este adversário implacável.

Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.

Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.

Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam ao concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.

Desassossegados não podem mais ver o telejornal que choram, não podem sair mais às ruas que temem, não podem aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, em madrugadas e no silêncio dos bueiros.

Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando uma abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente.

Desassossegados desconfiam de si mesmos, se acusam e se defendem, contradizem-se, são fáceis e difíceis, acatam e desrespeitam as leis e seus próprios conceitos, tumultuados e irresistíveis seres que latejam.

Desassossegados têm insônia e são gentis, lhes incomodam as verdades imutáveis, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente.

Desta raça somos todos, eu sou, só sossego quando me aceito.

(Martha Medeiros)



*Ainda bem que identifiquei a raça a qual perteço, pensei que eu era um ser sem pátria, sem explicação, sem lógica, estranho no ninho, o irremedialvelmente diferente e deslocado, uma alma inquieta, enfim um coração batendo descompassado no mundo... ;)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Não existe escombro que não possa servir de pedra novamente..." (Carpinejar)

"Tenho me sabido tão mais. Tenho me prestado tanta atenção. Tenho gostado da minha companhia, sabe? Pra variar. Pra variar, depois de anos e anos. Tenho mais consciência dos meus pensamentos, sentimentos e movimentos. Tenho mais consciência até da minha inércia. Sei o que me faz bonita e o que é feio em mim. Sei o que me alegra e o que me dói. E tudo me completa, me constrói, me faz maior, melhor. É um tempo de morar aqui dentro e ser um bom lugar. Pra mim."

Estive pensando por esses dias... Perder sempre é doloroso, mas por muitas vezes também é muito construtivo. Sim, é sábio da vida nos impor perdas, sejam elas na vida profissional, ou na maioria das vezes, na vida pessoal. A perda de um grande amor então!? Nossa, parece que não se sobreviverá... Ainda mais depois de tanta luta... Você conhece aquela pessoa maravilhosa, que lhe enche de vida, devolve o brilho em seus olhos, o sorriso em seus lábios, enfim faz a terra árida de seu coração se tornar fértil à semente do amor... e Tudo germina, floresce com ares primaveris... E você pensa: dessa vez vai dar certo, porque afinal a recíproca é verdadeira... Tudo o que ele desperta em mim é visível aos olhos de todos que desperto nele também! No entanto, como diria nosso querido guru Caio Fernando Abreu "De repente a coisa começa a desacontecer." E nada que você tente fazer é o bastante... Você tenta ser a super-mulher. Que mulher nunca tentou ser assim!? A melhor amiga, a psicóloga, a melhor amante, a mais linda, inteligente, forte, super bem humorada, e compreensiva das mulheres... Tenta mostrar tudo o que é capaz, todas as suas inúmeras facetas.. Mostrar o quão grande é o AMOR que sente por ele... Sua vida passa a girar em torno dele, e se esquece de si, do seu amor-próprio, de sua vida que passa  e TUDO ISSO EM VÃO...
A partir daí você surta, você não entende... Você se pergunta todos os dias o que há de errado em mim, em vez de O QUE HÁ DE ERRADO COM ELE??? 
Porque se menospreza-se, sempre acredita-se que o problema está em você. Eu que não sou e nem serei boa o bastante para ele, eu que sou imperfeita, eu que não soube amar, eu, eu, eu, eu... E assim gerei o pensamento de que eu não era mulher o bastante para nenhum homem. Eu não era atraente, minha inteligência não servia de nada, meu bom humor e perspicácia só servira pra mim mesma e fazia qualquer homem correr... Minha auto-confiança e auto-estima foram a zero!
Mas nada como o tempo! Não há aliado mais poderoso, esse através dos dias nos mostra a verdade... O que vivi e aprendi nesses últimos tempos pós-fracasso-amoroso não há dinheiro e nem, acreditem, amor-correspondido-sob-condições-degradantes, que pague. 
Através de minhas experiências pude recuperar tudo o que perdi sobre mim mesma...  
Primeiramente, o tempo lhe ensina que não se morre de amor, ou melhor, da falta de um amor. Você passa perto, deprime-se, não quer ver ninguém, a dor é tão imensa e intensa que você se sente sem ar, sem vida, seu coração parece que nunca mais baterá normalmente, tamanha a força esmagadora que o comprime, é tanta dor que chega a ser física. Você não sai, não conversa, não come, só sente a FALTA, falta de um pedaço seu, o pedaço de sua alma. O seu pensamento é 24h naqueles momentos perdidos, em tudo que foi bom (em sua cabeça) e que você nunca mais terá.
Mas os dias se seguem e você acostuma com a dor, afinal adaptação é a lei natural dos seres, e aprende a viver com ela e apesar dela.
Retoma a vida, meio forçada, mas volta a manter contato com o mundo, e com as pessoas. Ah, os amigos... Como somos ingratos com eles quando estamos amando alguém. Nos isolamos e dedicamos nossa vida ao ser amado. Ai, quando somos expulsos do paraíso, a quem recorremos? Aos bons e velhos amigos, ou quando é muito tarde pra isso, fazemos novas amizades!
E isso me salvou! Meus amigos, devo tudo a eles nesse período! Ninguém que se dizia me amar quis saber se morri ou sobrevivi a sua falta, ou quão agoniante foram meus dias em sua ausência, mas meus amigos me devolveram a luz!
E em cada saída você se depara com o novo, experiências novas... Você começa tímida, ou mesmo procurando formas que lhe cessem os pensamentos e dores passadas, tudo é meio forçado, a alegria ainda não é genuína, mas como dizem: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura.” Então... Uma hora você começa a se sentir melhor e se vê mais feliz. Começa a notar que novos olhares focam em você, que você é capaz de atraí-los.. Claro, seu coração ainda é daquela pessoa, afinal sentimentos quando verdadeiros não morrem da noite para o dia. Mas, alguém chega e lhe diz: “Poxa, sua alegria é contagiante!”, “Nossa, como você é linda!”, “Que sorriso o seu!”, “O que uma mulher tão interessante e tão inteligente está fazendo solteira ainda!” 
Então, você começa a notar que o problema não era com você e sim com o outro que não soube dar valor ao que encontrara em você. E você passa a se valorizar mais. Você ergue a cabeça, veste o amor-próprio há muito esquecido e começa a mudar a si.
De início você muda o visual, muda os cabelos, coloca um brilho no olhar, um sorriso resplandecente nos lábios e entusiasmo no modo de ser, ama cada nova roupa e sapato que adquire. Batalha a cada dia, trabalha, luta pela sua independência, afinal a vida cotidiana não perdoa e é sempre dura.
A cada nova conquista você recebe um novo brilho, uma nova luz irradiada da sua áurea, o que reflete em sua auto-confiança. E quando menos se espera você se torna a mais cativante e linda das mulheres!
Não há clínica de estética, nem salão de beleza, nem mesmo dinheiro que possa lhe deixar mais bela e atraente do que a renovação de sua alma, de sua auto-estima e vontade de viver!
Você pode estar com a roupa que for, até de uniforme de trabalho! Não é só seu modo de sentir que muda, seu modo de falar, seu modo de olhar, de caminhar, transformam-se. Todos os olhos se voltam para você onde é que você esteja, seja atravessando uma rua ou dando o ar da graça em um barzinho. Isso transparece, você transpira e inspira magnetismo!
E tudo começa a ser um ciclo, uma coisinha puxando a outra, e tudo começa a ir bem, a acontecer... Sucesso na vida profissional, ainda não se chegou aonde se quer, mas as coisas vão se encaixando. Você começa a ter opções na vida pessoal. O que antes era um deserto imenso, agora é um campo fértil, cheio de possibilidades, onde você escolhe... Sim, você agora tem o poder de eleger quem lhe agrada, com quem quer criar laços ou não, com quem vale a pena realmente compartilhar suas inúmeras qualidades e conquistas!
E é assim que atualmente me encontro, num estado de graça... Tenho certeza dos meus potenciais como mulher, valorizo-os a cada minuto. Cultivo minha alma e mente, que sempre foram primordiais para mim. E tenho a certeza que a minha vida apenas começou, tenho muito a buscar e a trilhar, e não será qualquer um ou qualquer queda que irá me embrutecer. Só estará comigo quem eu julgar que valha a pena e que queira ao meu lado perpetrar grandes coisas, construir NOSSA VIDA! Se não for assim, não quero mais! Falar não e ser dura quando se deve ser, valorizar-se como mulher e ser humano, ter princípios e objetivos firmes, enfim se fazer respeitável, sem perder a doçura na alma, são conquistas que só se aprende na prática pela tortuosa e incerta estrada da vida, com seus terrenos planos e acidentados. E agradeço a Deus e a todos que me fizeram a mulher que sou e parte do que ainda serei, agradeço, principalmente, a quem me fez sofrer um dia, pois sem essas dores não vislumbraria o que poderia ser aprimorado em mim e não poderia estar pronta para buscar o melhor para mim.


(Juliana Alves)


"Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima. (...) Basta desaprender o receio de mudar.”


(Martha Medeiros)

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...