quinta-feira, 17 de março de 2011

Eu quero a fome...


  "Não quero faca, nem queijo. Quero a fome."

 (Adélia Prado) 


Sempre desejei a fome, pois é a fome que nos motiva a buscar, saciar, e se não existe o que desejamos criamos formas de satisfazer o que nos acomete, o que nos atormenta seja a alma, o coração, ou a razão... Não é a toa que a sede e a fome são sensações intintivas que nos mantêm vivos. E por isso é tão importante termos sempre fome, seja de conhecimento, seja de amor, de poesia, de beleza, de prazer, de alegrias, de realizações, de vencer, de conquistar... Pois ela é nossa motivação, nosso combustível que nos faz buscar sempre o melhor em qualquer área de nossas vidas. Assim, eu quero ser faminta sempre... Faminta pelo que há de melhor na vida, faminta de viver!


(Juliana Alves)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Do amor...



Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento, relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já está pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor se manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?

Minha resposta? O amor é desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita, ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.


(Extraído do CD "Eu falso da minha vida o que eu quiser", Paulinho Moska)

Como se fosse o último...


Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último para dizer “obrigada”. O último para dizer “me desculpa”. O último para dizer “eu te amo”. O último para abraçar cada pessoa amada com aquele abraço bom que faz um coração cantar para o outro. O último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura pra depois. O último para fazer as pazes. Para desfazer enganos. Para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último pra esquecer tolices. O último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. O último para rir até o coração dançar. O último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. O último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. O último para ser útil em toda circunstância que me for possível. O último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último para me maravilhar diante de cada expressão da natureza com o olhar demorado de quem olha pela primeira vez. O último para ouvir aquela música que acende sóis por toda a extensão da minha alma. O último para ler, de novo, o poema que diz tanto de mim que eu me sinto caber nos olhos do poeta que o escreveu. O último para desembaraçar os fios emaranhados dos medos que me acompanham.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. Eu não perderia uma chance para me presentear com os agrados que me nutrem. Eu criaria mais oportunidades para dizer o meu amor. Para expressar a minha admiração. Para destacar para cada pessoa a beleza singular que ela tem. Para compartilhar. Eu não adiaria delicadezas. Não pouparia compreensão. Não desperdiçaria energia com perigos imaginários e com uma série de bobagens que só me afastam da vida.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, porque pode ser.

(Ana Jácomo)

terça-feira, 15 de março de 2011

Onde levas? Não perguntes, segue-o...



 
“Ninguém pode construir em teu lugar
as pontes que precisarás passar,
para atravessar o rio da vida
- ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números,
e pontes, e semi-deuses que te oferecerão
para levar-te além do rio:
mas isto custaria a tua própria pessoa;
tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho
por onde só tu podes passar.
Onde levas? Não perguntes, segue-o.
 
(Friedrich Nietzsche)

Minha Essência...



"Talvez eu seja um pouco de tudo que já li.
Um pouco de tudo que meu olhar
já aprendeu do mundo.
Um pouco das belas músicas,
um pouco daqueles que me são queridos,
Um pouco de múltiplos sentimentos
e algumas fraquezas.
Talvez eu seja um pouco
do que você deixou em mim,
mas em essência,
o muito da minha essência,
é algo delicado e misterioso…"

(Rubem Alves)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Hoje...




"Hoje, quero passar 

dos limites da aparência

e achar o que há 

de mais lindo no coração."


(Caio Fernando Abreu)

domingo, 13 de março de 2011

Siga o seu Coração...


 
"Voe o mais alto que puder.
Feche os olhos, imagine-se. 
Dê a mão ao céu. 
Alcance o universo, almeje o infinito. 
Transpasse as barreiras da realidade, e siga seu coração."

(Autor desconhecido)

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...