quinta-feira, 26 de dezembro de 2013


...Seria eu uma garota polida vivendo uma vida lascada 
ou uma plebeia mundana em um conto de falhas!?

(Reflexões curiosas de uma mente barulhenta) 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Na bruma leve das paixões que vem de dentro... (Alceu Valença)



Achegou-se com o frescor da brisa litorânea, 
mas com o calor de um aconchego manso.
Com tua voz, "caetaneou" aos meus ouvidos 
as mais diligentes poesias.
Tão doce foi teu gesto, que me fez almejar ser tua Marília... 
Deixar de ser somente uma ilha no coração dessa terra
e fundir-me ao mar do teu sertão.

(Juliana Alves)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Vertigem...

 "(...) Apesar de minha familiaridade com os aliens, há em mim um peso humano de caminhante que me obriga, quase sempre, a voltar a minha pobreza de criatura terrestre. Não corrigi nenhum dos erros que cometi e sequer me pesa saber-me assim. E a roer-nos, os ratos dos anos. Rasgando pedaços de mim para colar em ti. Mendiga — diriam. E era. Não propriamente dos prazeres lascivos que as paixões desenfreadas inspiram. Nunca me deixaram ficar por tempo suficiente para saciar a fome de afeto que tinha do outro. Partiram sempre antes que lhes pedisse: fique. Culpá-los? Não... Não ouso. Por mais que enchessem as tigelas, morri, estoica, de uma miséria anônima de dar pena até nos mais desacreditados poetas. E, no entanto, minha fome não era diferente daquela que sentiam todos os outros. Eis-me aqui, lambendo até as tampas da profundidade e sem nunca saciar-me. O muito é para poucos. "

(Lídia Martins)
 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Da Doçura de Novembro



Mal se achegou novembro e já colho trigo, leite e mel, e sob o calor amoroso das sensações frescas preparo a benesse que o próximo ano há de frutificar.

Trago no peito a certeza que o que passou, agora já é pó, nada, cinzas de um fulgor que fez somente enrijecer o que não consumiu.

Assim, sob a fresta de luz que me dá passagem ao novo caminho, enfeito as janelas de novembro com sorrisos, cumprimento com o olhar ávido o que me adentra ao peito sem pedir licença.

Que venha essa inocência renovada adoçar os lábios de minhas preces e me prepare um verão no coração, acalentado por novos sonhos, infinitos rumos e doces surpresas, enfurnados pela brisa suave de uma fé incansável na beleza do porvir.

(Juliana Alves)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Dos Diferentes Céus...


"Eu acho que há muitos céus, um céu para cada um. 
O meu céu não é igual ao seu. Porque céu é o lugar de reencontro com as coisas que a gente ama e o tempo nos roubou. No céu está guardado tudo aquilo que a memória amou..."


(Rubens Alves)


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Só...



Só deseja um amor saudável, quem já viveu uma paixão dilacerante. Porque a paixão corroía tudo por dentro até tirar o fôlego, mas até a dor parecia bonita: aquele único instante de felicidade com o Outro compensava os trezentos outros de infelicidade. 
Só deseja ter um dia tranquilo, sossegado, quem tem a intensidade à flor da pele, quem acorda suspirando a vida, devorando o dia, se lambuzando de tudo sem conseguir tocar nas coisas com a ponta dos dedos. Só deseja constantemente a companhia das palavras quem escreve. Para estas, o silêncio nunca é mudo, é sempre uma possibilidade. 
Só consegue vislumbrar a paz quem se investiga, quem tem Consciência do que deseja e pode ou não obter, quem aprendeu a lidar com o imediatismo. A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas. A escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão. A compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência.
Só consegue acordar para a vida, quem viveu solitário e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia, quem perdeu o sol. Só consegue apreciar a nudez, quem não é vulgar. Quem percebe com naturalidade que um corpo é como uma árvore, que o seu ambiente é extensão do meio ambiente e que, juntos, ambos são um ambiente inteiro. 
Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado. Quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico.  Só consegue ser irônico, quem é inteligente. Só consegue ser doce, quem já foi ferido e curado pela espiritualidade.
Só consegue o que quer os que têm desejos justos. E acreditam.



(Marla de Queiroz) 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Tempo de Outubro...


O tempo tem sido um mestre supremo, sempre bendizendo alegrias, enaltecendo belezas, prismando luzes em cores vivas no meu coração... No tratado pacífico que lhe fiz, a cláusula principal é que ambos só nos ajudaríamos. Ele com seus dedos de cura e elixir de felicidade fazem de mim seu molde, a argila ganhando forma, conforme o que ele me apresenta em sua sábia pontualidade. E eu, não mais o atravancaria em seu inexorável caminho, sob nenhuma circunstância o apressaria, sob o julgo tolo da urgência. O deixaria livre para cumprir com seu papel de apascentar meus sonhos, amadurecer de forma doce os meus frutos, e desabrochar os meus botões com tanto afinco cultivados, pois a paciência é o preço da perfeição.

E nessa exultação temporal, evoco: Que venha Outubro! Venha com a força das infinitas possibilidades e com a calmaria dos alentos, das esperanças do por vir... Venha com milhares de sorrisos, mastigando medos e alargando-se aos desejos sinceros do coração. Que venha bailando sobre ventos-preces espalhando a aurora da vida nas voltas, que as cordas do tempo-ventríloco fazem a Terra dar.

(Juliana Alves)


Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...