quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

30 de janeiro - Dia da Saudade

 
Saudade...

Sentimento dúbio.
Não se sabe se alento ou tormento...
Última subsistência dos corações,
cujo ser amado desertou.

Vida paralela,
lampejos do que partiu,
mas não nos abandonou...
Mel e fel numa só sensação.

Eternidade dos amantes,
dimensão em que se (re)vive
  o que lhe foi negado,
interrompido contra a vontade
de uma parte...

Fez-se chaga aberta no coração,
ígnea impressão,
queimando a alma...

O desalento do nunca-mais.
Ausência sempre presente,
desejo inconseqüente,
que acende e mitiga
na impossibilidade da legitimidade.

O que fazer com a saudade?
Se ela me invade,
e não se esvai...

Embriaguez da vontade...
Sangue buscando a veia...
O que me faz perpétua.
Em poesia plena
vou ansiando-lhe extrema.

O que fazer com essa voragem,
do seu ser sempre perene...
Nessa minha alma amante?

Quando se instaura,
saudade não tem cura,
se faz na demora...
E só o tempo a muda,
em tom e intensidade...

Insânia...
Retalhando a luz da minha palavra,
clamo meu sangue, minha poesia...
  P
ara que mesmo, embebida nesse inefável anseio,
haja louvor e recompensa
para a dedicação incansável de poeta.

Das dores se fazer magia,
e da saudade, fértil realidade
de infinitos cantares.
Já que o amor sempre está,
muda-se somente a quem amar.

(Juliana Alves)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...♫♪


Sempre penso nessa questão, de deixar quem se ama a todo momento com uma palavra de carinho, que essas pessoas saibam que realmente fazem diferença em minha vida, e não permitir que desavenças corriqueiras me impeça de demonstrar o amor por alguém. 

Mas quando acontece algo assim, uma tragédia, penso mais... Penso que, muitas vezes, não conseguimos cumprir isso, falar um "Eu Te Amo", falar que sente saudade de alguém distante, ou que não importa a discussão tida, o erro cometido.. Que amo e vou continuar amando certas pessoas e queria que elas soubessem isso. 

Meu maior medo é morrer e deixar as pessoas que amo sem o saberem e as que tive conflitos, sem meu perdão e carinho... Então, fica aqui a todos que passam e passaram por minha vida, e cativaram meu afeto... Meu mais sincero "Eu os Amo", por tudo que proporcionaram e proporcionam em vida - alegrias, aprendizados, amor, amizade, lágrimas, tudo o que faz sentir que ainda vivo!

(Juliana Alves) 

domingo, 27 de janeiro de 2013

A maior tragédia de nossas vidas



"Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido"


(Fabricio Carpinejar) 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Infinita

 
Estou frágil, sensível... loba e faminta
Encantada, entregue...
Estou infinita! 
Transbordando cor em dia cinza 
Transformando um grão em reino
(...)
A coroa de velhos tempos não perde o brilho
por ventos pequenos... 
O amor de antes, ainda é o de sempre
A essência se reencontra 
E a vida segue...


E eu,
Eu estou Infinita!
(...)

(Carolina Salcides)



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dar-se Tempo ao Tempo




Tenho aprendido que para algumas coisas se tem muito tempo, dizem que a vida é muito curta, mas pra determinadas “esperanças” tem-se toda a vida. Não adianta pressa, a nossa urgência é que torna tudo muito breve.

 A ansiedade traz a falta de fôlego, o cansaço em se viver sempre insatisfeito, buscando, querendo... E quando é chegado  o momento e o tenho ao alcance das mãos, não tem sabor, as papilas fadigaram de tanto aguar a boca ansiando aquele gosto.   

Por mais lento que seja o passo a passo, o bailo ao som da paciência, nada maior que o meu peito possa aspirar e devolver à vida com a calma de um suspiro... Antes saborear cada “pedaço” do caminho do que engoli-lo inteiro e ficar engasgada, sem ter sabido o sabor exato do maná me oferecido em banquete. 

Como Caetaneou-se o pensamento, “cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é...”, e hoje sou a calma daquele ponteiro do relógio que se espreguiça antes de mudar a cada segundo, como se quisesse eternizar aquele instante, em câmera lenta a deliciar-se com cada detalhe... Apreendê-lo entre retinas exaustas de ver urgências para colorir a memória dos fatos, que o tempo de qualquer forma leva... 

O que tem que vir, virá, eu me deleitando em demoras ou sucumbindo ao imediatismo inútil, cada presente me será dado ao meu merecimento, com todas as fitas, laços e abraços de seu tempo. 
Só me resta viver, crescer e merecer! 

(Juliana Alves) 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Ilhar-se


"Ilha não é só um pedaço de terra cercado de água por tudo quanto é lado. Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente. (...)Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha. Toda ilha é verde. Uma folha caindo é ilha cercada de vento por tudo quanto é lado. Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara."

(Oswaldo Montenegro)


Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...