sexta-feira, 4 de março de 2011

Livrai-me de tudo que me trava o riso...



"Que eu tenha sempre comigo: Colo de mãe.
Abraço apertado. Riso de graça. Brilho no olho.
Amor quentinho. Tristeza que passa. Força nos ombros.
Criança por perto. Astral bonito. Prece nos lábios.
Saudade mansinha. Fé no futuro. Delicadeza nos gestos.
Conversa que cura. Cotidiano enfeitado.
Firmeza nos passos. Sonhos que salvam.

Livrai-me de tudo que me trava o riso."


(Cris Carvalho)


"As coisas mudaram no dia que ela decidiu se entregar. Não lembra em que instante isso aconteceu, mas desejou ficar diferente, com menos rancor, menos mágoa, menos peso. Parou de procurar quem deixou de pagar a conta e esqueceu todos os devedores pelo caminho. Na bagagem, só o estritamente necessário. Eliminando sobras, aprendeu a aparar as arestas. Dos pertences, restou apenas o desperdício de si, a entrega, o arrebatamento. Pegou nos ares a estrela caída do céu, colocou no cabelo, como um iluminado enfeite, e foi. Peito aberto. Braços estirados. A vida, agora, era qualquer coisa pura, qualquer coisa livre, qualquer coisa genuína. Nada é pesado demais para quem tem asas."

(Duda Araújo)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Saber flor-ir...



"Penso nisto, não como quem pensa, 
mas como quem respira,
E olho para as flores e sorrio ...
Não sei se elas me compreendem
Nem sei eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim.
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra ..."


(Alberto Caeiro)

quarta-feira, 2 de março de 2011

"Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras; e por tudo isso, ando cada vez mais só..." (Caio Fernando Abreu)




ENFADO

Cansado desses versos enfadonhos,
dessa gente que precisa rodopiar a cidade inteira
procurando vaguidão àquilo que é simples e coeso.
Nego-me a aceitar a dificuldade, 

a extensão de algo que pode ser descrito em um verso.
Não direi mais de subjetividades, não as usarei inclusive, 

os sentimentos são claros, 
lê-los é tarefa que cabe a nós fazer e conseguir.
Se dize amor, amor é o que sente e diga-o: amor.
Se dize paixão, paixão é o que o incomoda, então sinta-a: paixão.
Se prefere concupiscência, não há problema,
abaixe as calças, onanismos mil e faça-a: concupiscência.
Não se perca nas teorias bobas dum céu que te comove.
O céu serve como ponte para o entendimento,
às certezas que retiramos do que já nos é intrínseco.


Diz tudo o que quer, diz da vontade concomitante,
mas não rodopie:
Se for apontar a arma, puxe o gatilho.


(Marcelo R. Rezende)

Inesperado...

 
 
"Sempre carrego alguns poemas entre os meus lábios...
Um par de asas na bolsa...
E o meu passaporte para a felicidade.
Sabe-se lá quando uma nova oportunidade pode chegar."

(Lígia Guerra) 


* In - http://ligiaguerra.blogspot.com/

Reticências...




"O tempo não perdoa, 

já foram tantos pontos finais, 

que nosso AMOR virou apenas reticências...

(Juliana Alves)

terça-feira, 1 de março de 2011

Vivendo no Século XXI



*As pessoas não valorizam mais o toque, o olho no olho, o cheiro e o ouvir a voz nas interações humanas. Esses primordiais sentidos são substítuidos cada dia mais, e as saudades são matadas apenas por palavras vistas. E a fome da alma pela presença do outro, como se saciará? A tecnologia cada vez mais avançada vem para trazer dinamismo e comodidade a nós... Mas o que eram as calorosas relações humanas esfriam mais e mais, e tenho medo de um dia me ver rodeada apenas por ferro, fios e microcircuitos inteligentes. Eu não suportaria! Gosto do instinto de tocar, cheirar, ouvir, apreciar o som da voz humana, ver carne, osso, e profundidades oculares... Por mais que me modernize não abro mão desse maravilhoso e primitivo prazer!*

(Juliana Alves)

Auto-Retrato

 
 
Alguém diz que sou bondosa:
está tão enganado que dá pena.
Alguém diz que sou severa,
...e acho graça.
Não sou áspera nem amena:
estou na vida como o jardineiro
se entrega em cada rosa:
corte, sangue, dor e aroma,
para que a beleza fique na memória
quando a flor passa.


(Amar é lidar com os espinhos
de quem ama por inteiro:
com força, não com fraqueza.)



(Lya Luft)

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...