sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dar-se Tempo ao Tempo




Tenho aprendido que para algumas coisas se tem muito tempo, dizem que a vida é muito curta, mas pra determinadas “esperanças” tem-se toda a vida. Não adianta pressa, a nossa urgência é que torna tudo muito breve.

 A ansiedade traz a falta de fôlego, o cansaço em se viver sempre insatisfeito, buscando, querendo... E quando é chegado  o momento e o tenho ao alcance das mãos, não tem sabor, as papilas fadigaram de tanto aguar a boca ansiando aquele gosto.   

Por mais lento que seja o passo a passo, o bailo ao som da paciência, nada maior que o meu peito possa aspirar e devolver à vida com a calma de um suspiro... Antes saborear cada “pedaço” do caminho do que engoli-lo inteiro e ficar engasgada, sem ter sabido o sabor exato do maná me oferecido em banquete. 

Como Caetaneou-se o pensamento, “cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é...”, e hoje sou a calma daquele ponteiro do relógio que se espreguiça antes de mudar a cada segundo, como se quisesse eternizar aquele instante, em câmera lenta a deliciar-se com cada detalhe... Apreendê-lo entre retinas exaustas de ver urgências para colorir a memória dos fatos, que o tempo de qualquer forma leva... 

O que tem que vir, virá, eu me deleitando em demoras ou sucumbindo ao imediatismo inútil, cada presente me será dado ao meu merecimento, com todas as fitas, laços e abraços de seu tempo. 
Só me resta viver, crescer e merecer! 

(Juliana Alves) 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Ilhar-se


"Ilha não é só um pedaço de terra cercado de água por tudo quanto é lado. Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente. (...)Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha. Toda ilha é verde. Uma folha caindo é ilha cercada de vento por tudo quanto é lado. Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara."

(Oswaldo Montenegro)


sábado, 12 de janeiro de 2013

Das Escolhas


"Talvez seja melhor viverem seus conformismos, seus medos e indecisões. Suas rasuras e atrasos, pois não há acréscimo em viver do orgulho de não permitir-se; das frustrações daquele caminho cujo os passos, não tocaram. Não há incerteza maior daquele sabor acre a ficar na pauta de um rascunho que nunca ansiou ser esboçado. Essa amarra que desbota o desaguar bonito das coisas que vem até os lábios e delas voltam. 

É lamentável ficar preso pelas escolhas e represar amorosidades desse fluxo findado e entregue nas próprias mãos. Nas batidas dessa Poesia a sacudir essas marés; do pedaço-inteiro que sou, mesmo partida. 

É angustiante também não se saber o que houve, do telefone mudo, da mensagem pendente, da porta fechada, do horizonte escuro, do sinal travado, da sensação de “expulsão” do beija-flor do jardim. Daquela casa da Poesia, do Amor, da ternura, do que somos nós, mesmo não sendo, além de algum sentimento ou estado de fato. Perdem o tempo, quando na verdade o buscar das coisas e nuances, de certa forma, se revela mesmo é no outro e para nós.

Por que sou daquelas que vivo minhas querências e incertezas também, mas eu arrisco e me inundo de verdades e sentimentos. E creio, que não seja fácil deixar a platéia. Nasci talhada pelo Amor, pelo desejo mútuo de completude, mesmo eu sendo metade, impermanência. Não aprendi a viver de marés, de estações. Aprendi a colorir minhas coragens e deixar aquela lágrima cair quando tiver de cair, e deixar meus sentimentos bem limpinhos, puros e despidos de qualquer vir-a-ser, para o hoje e não um amanhã. 

Como sou feita de cheganças me desfaço de armaduras quando a vida me propõe ser franca. Por isso concedi as cartas, abrir as janelas de uma grandiosidade de quem se olha nos olhos e confessa-se ...

E eu mesmo, não perdi nada, pincelei meus arco-íris com os tons concedidos e guardo o que de contemplativo foi e é... Sopram naquela janela colorida por sinal, a mesma brisa, o mesmo Amantes-amados, beijando as águas na maciez que agora lavo minhas mãos."

(Fernanda Fraga)


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Arte de Navegar...

 
 
"Não conhece a arte da navegação
quem nunca vogou no ventre de uma mulher,
remou nela, naufragou
e sobreviveu em uma de suas praias..."

(Cristina Peri Rossi)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Viajante...


"Meu lar em muitos falares, meu luar em mil lugares.
Tenho um ar de muitos ares, sou mar de muitos mares."


(Autor Desconhecido)
 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...