segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Perdida de Amor, de Talento e de Loucura..." (Caio Fernando Abreu)



Amor quando se enferma,
Faz da alma um inferno...
E no coração instaura um inverno...

É caminho sem volta...
Sentimento de ninguém...
Paira a esmo
E faz de sua morada,
Recôndito escuro sem luz, nem paz...

Vive da loucura,
sem despertar ternura...
Culpa minha? Culpa sua!

Que me manteve cativa,
Escrava nativa...
De promessas vazias
Do seu bem-querer.

E agora o que eu faço,
Com esse embaraço que me restou?

Estou perdida sem sol, sem lua...
Com a alma crua...
De Insípida Inspiração.
E um diamante negro...
No lugar do coração.

(Juliana Alves)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Então vá se perder...



Vai fundo, mergulha na ilusão,
Se achas que está numa prisão.
Curta sua vazia liberdade,
Bata asas, mas cuidado...
Nem tudo é o que parece ser,
Tudo é atraente, diferente...
Mas em essência tudo gira em torno de um fato,
Se não é capaz de dar raízes, será cobrado!
E o que era magia tornará etéreo novamente.
Quem não está preparado pra assumir riscos no amor,
Não deve brincar de amante, muito menos de poeta,
pois liberdade é um amor pra se prender,
e preso você não sabe viver!
Vá, vá se perder, que eu vou me achar!
Quero um amor pra me abraçar,
E dizer...
Aonde você estava que não a me amar?!

(Juliana Alves)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tango do Amor Acabado



Hoje acordei com unhas Scarlatti,
da cor do que um dia foi o meu amor.
Um amor que foi um tango,
disputa de amantes,
em que se acaba só...


Ou será que foi apenas um monólogo

no coração de uma escritora,
Que de tanto escrever drama 

acabou vivendo tragédia!

Batom carmim, imagem no espelho, 

olhos borrados de dor...
Por perder o grande amor?
Não! Por ter perdido a si mesma, 

nessa busca vazia em que nada ganhou.

Quanto tempo se tem na vida,
pra acreditar no que nunca foi?
No que jamais perdurou?


Basear-se em palavras?
Confissões de uma noite 

que no amanhã se perdem
aos lençóis de outra visão,
ou na contemplação de outra alma?


Esse enredo já cansou, 

quero um bolero a dois! 

Uma valsa talvez,
na dança da vida, 

uma alma cúmplice como par...

Nada de uno, nada de só,
quero apenas tons em sol 

pro meu coração esquentar.

Agora um adeus, 

pra esse ato fechar,
Sem volta sem rumo, 

porque amar...
é bem mais!

(Juliana Alves)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Toda Furacão




Tem dias que nem eu me aguento,
minhas emoções fazem tempestade dentro de mim...
É uma mistura de amor mal curado, com saudade repentina,
vontade de renovação, com um não querer largar o passado,
um sai pra lá com um vem pra cá...

Não sei dizer...
Ai são beijos e abraços,
afagos, farpas e espinhos,
mordidas e arranhões,
gritos e sussurros,
laço e solidão...

Terminantemente não sei o que será de mim,
se sobreviverei a mim mesma ou morrerei de inanição,
dessa falta de rumo e prumo de minhas sensações.
Já não sei se penso, se sinto ou se desligo,
pena que não se pode desligar o coração.

Ah, se eu não fosse assim furacão,
seria fácil controlar essa torrente emoção,
mas não tenho outra opção do que me aceitar assim intensa
e libertar minhas palavras em forma de oração.

“Oh, Deus perdoai os que a alma atordoada violentamente grita, lateja e clama, trazei calmaria onde notai ventania, me enchei do Seu Amor pra acolher o que não quero aceitar, e transformai o que me tortura em luz e resignação.
Amém!”

(Juliana Alves)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

"Desperta teus sentidos para que não perca tudo de belo e formoso que te cerca.
Apaga o cinza de tua vida. 
E acenda as cores que carregas dentro de ti."

(Pablo Picasso)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vontade de amar, simplesmente...



"Voa um par de andorinhas, fazendo verão.
E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas, velhas contas recebidas.
Vontade de mudar de camisa, por fora e por dentro…
Vontade…para que esse pudor de certas palavras?


… vontade de amar, simplesmente."


(Mário Quintana)



Chega-se a um momento na vida, em que se está com retinas, sentidos, alma e coração fatigados de coisas vazias, momentos que ensaiam sempre acontecerem e não saem do prefácio, empolgações sem sentido... Sei lá... Às vezes penso que sou um espírito muito evoluído, ou muito arcaico... Sim! Sou excessivamente "madura" e careta pra minha idade e pro mundo de hoje. 

Nunca fui aquela menina sonhadora, de brincar de casinha ou de boneca, pra mim sempre as brincadeiras tinham que ter lógica, brinquedos tinham que ser auto-suficientes. O que? Ter que mexer braços de boneca, ou pernas e fingir que elas eram vivas... Fazer de conta que eu era dona de casa, tinha filhos e casava com um príncipe? Não! Não que eu não acreditasse em contos de fadas, ou não fosse romântica e suspirasse com eles, mas acho que sempre fui muito realista. Aquilo ali era um objeto de plástico, não mexia, não tinha vida, então não me atraía. 

Nunca fui a adolescente inconsequente, a garota namoradeira das festinhas... Sempre fui a obstinada por resultados no colégio, mas também, tinha que lutar pra ser a melhor, pois me faltava o principal: o dinheiro! Nunca fui a garota do papai, cheia de mimos, vontades feitas e cuidados. Nunca tive o aparato financeiro pra poder me dar o desfrute de ser uma adolescente normal e banal... 

E assim tenho me tornado uma mulher que nunca foi a mulher fatal, nunca foi a baladeira, a mulher de muitos homens, de muitas noites agitadas, vida intensamente vivida e bebida... 
Não, sou aquela que está em casa, enquanto os outros estão na night, sou aquela que está lendo um livro ou numa conversa produtiva na internet, enquanto todos estão bebendo, transando, etc. Se eu não gosto de me divertir? Sim, eu adoro dançar (e como danço), adoro sair com meus amigos, aprecio uma boa bebida e sei ser fatal, mas... 


Não acho que a prática desenfreada disso, transformada em um modo de vida, vá me levar a algum lugar, não julgo que me trará as respostas que preciso atualmente em minha vida. Isso não me trará alguém especial para compartilhar uma vida, não me fará ter um contato profissional de sucesso, enfim só esgotará o pouco recurso finaceiro que por hora tenho, fruto do meu suor, e exaurirá sobretudo o que tenho de mais precioso: minha mente, minha alma. Todos que estão ali, procurando algo que não possuem, sugarão de mim: minha vitalidade, minha energia, minha produtividade, e me darão o que em troca? NADA!!! Nada que me interesse. 


Por ser assim, é que não consigo entender e não consigo aceitar certos comportamentos: como pode tanta gente viver assim, de vazio? Ausência de valores, cada dia numa boca, numa cama diferente, embriagados de bebidas, energias de baixa vibração, em meio a fluidos corporais desconhecidos, voltando pra casa e retomando sua vidinha, com o que a mais mesmo? Em nome do que? Da liberdade? Do status? Da não solidão? 

Não me vejo ao lado de alguém que conheci assim. Sou aquela mulher tida como chata, entediante, esnobe e controladora pra muitos homens; aquela que não pode ser comprada com presente caro, aquela que não é atraída por beleza ou status... 
Não, não sou comunista ou hippie, ou alternativa! Claro que gosto de tudo isso e desejo pra minha vida, mas não será isso que irá me fazer beijar uma boca desconhecida ou me despir e me entregar a algum homem. 


Eu valorizo profundidades, miudezas, o que vem do coração, do intelecto, da alma... O que flui pelos poros, transborda sem explicação, me contagia e me deixa totalmente entregue naturalmente... e isso não tem aparência, carro bom, ou qualquer poder ou dinheiro que compre. 

E acham que isso tudo é de graça, ter-me assim sai barato, já que o dinheiro do outro não me interessa? Não, sai mais caro do que qualquer dinheiro! É dispendioso... Porque lembra que eu disse que ou sou arcaica ou muito evoluída? Pois bem, o meu preço chama-se RESPEITO! Nomeia-se AUTENTICIDADE, COMPANHEIRISMO, FIDELIDADE, COMPROMISSO, VERDADE, AMIZADE, CORAGEM, que PRA MIM, juntos formam o AMOR! Não, não é esse banalizado por ai não, minha visão está muito além! 


Sou daquelas inconformadas que não entendem como alguém pode jurar amor e: mentir pra pessoa amada, não cuidar, não demonstrar carinho, estar com várias mulheres cheio de segundas intenções, trair (no mais global sentido desse ato)... Não aceito o dizer "amo, mas..." Mas o que? Quando se quer estar junto, está, não existem poréns... Ou é ou não é! Isso de espera um pouco, não estou pronto, não é o momento, pra mim é tudo desculpa pra se viver aquela vida lá, que meus preceitos vêem como PERDA DE TEMPO.  Então assuma isso, diga: ESCOLHO A VIDA VAZIA!

Sou a mulher que você quiser, a companheira, a amiga, a amante, a confidente, todas numa só, lhe ajudo a construir um mundo, mas sê inteiro comigo! Esse é o meu preço! Gosto das coisas claras, não sou morna nem submissa pra me fazer de cega e fingir hipocrisia, sou autêntica! Não sou desapegada, essa onda de que o bom é ser de ninguém, sem amarras sentimentais, sem vínculo comigo não funciona, só sei ser essencialmente intensa e me entregar assim, se quer restos, raspas, superficialidades, não perca seu tempo comigo! 
Se não me acha boa o bastante pelo preço que exijo, então parta, mas não queira me enrolar, porque meu coração é meiguíssimo, mas meu pavio muito curto, e tenho um sexto sentido afinadíssimo. Afinal, o que meus olhos não vêem meu coração pressente, sempre! 

Quero somente o Amor em sua mais pura essência, transcender nele e amadurecer, e pra isso preciso de um Homem de qualidades únicas, que some à minha vida, me satisfaça e me conquiste todos os dias, afinal não é porque eu não valorize as futilidades da vida que eu não goste de sair da rotina e de novidades. 
Na verdade, é bem mais difícil manter meu Amor aceso e interessado, porque se banalizar, perder a autenticidade e a essência, perde o encanto... Ser comum não me atrai! 

Posso não ser a melhor mulher, não sou perfeita, não sou a mais bonita, sou ciumenta, tenho mil defeitos, sendo o principal, ser correta, verdadeira e transparente no que sinto ao extremo, e cobrar reciprocidade do outro que me acompanha... Mas uma coisa eu posso lhe garantir: sou única, e farei de tudo para fazer a diferença em sua vida! E minha singularidade está exausta de ser só, só quero ter o meu devido valor reconhecido e viver algo verdadeiro e pleno, será que dá pra ser ou está muito difícil? 

Em qual vida será, que a minha existência encostará na sua?  


Porque eu sei, acredito, que se nasci assim, se essa é a minha essência, deve ter alguém semelhante a minha procura, de pés cansados, coração calejado, confiança abalada, achando-se também o ímpar dos seres, desacreditado no amor, e me pedindo pra ser dele...

Então... Por favor, me encontre, e venha ser conjunto do meu ser, para que adocemos assim nossas vidas!
Guie-nos Deus a esse encontro, porque aqui há um coração de uma diferente que clama trocar sua solidão por uma verdadeira companhia.



(Juliana Alves)

Com honestidade


De vez em quando, a água, por natureza cristalina, de lindas praias existentes na região dos afetos fica turva por detritos emocionais acumulados, nossos e alheios. Às vezes, é possível percebê-los e até identificá-los na superfície. Outras, não. Só o que dá pra perceber é a transparência prejudicada. O desconforto que nem mesmo a massagem das ondas consegue desmanchar. A espontaneidade que desaprendeu a fluir. Um aperto meio doído na garganta dos instantes compartilhados.

Os tais detritos, entre outras coisas, podem ser resíduos de achismos traiçoeiros, olhares estreitados, tristezas arqueológicas, cacos de carências, bobagens fermentadas, perdões mal costurados, medos cabíveis e outros que não cabem. Podem ser também resíduos de coisas inimagináveis, criadas durante trechos de silêncio ruidoso pela falta daquele raro diálogo que não se restringe ao andar da cabeça. Aquele que tem espaço para começar no coração. Aquele que é lugar onde ninguém precisa se defender de ninguém para oferecer proteção a si mesmo. Aquele que quando não acontece às vezes se transforma em dois monólogos esquisitíssimos, feitos de equívocos e sentimentos embolados pelas mãos da confusão.

A verdade é que, embora quiséssemos, não encontramos uns com os outros ao longo da extensa orla da existência só para compartilhar banhos aprazíveis em mar de águas claras, clima ameno, riso farto, coco gelado ou uma cerveja boa. A ideia é ótima, e deve ser desfrutada tanto quanto seja possível, mas não é só essa. Os encontros, sobretudo aqueles que acontecem com potencial pra trazer à tona os seres amorosos que, por essência, já somos, evidenciam nossas belezas sem reservas, mas podem também turvar as águas de quando em quando. Uma hora costuma acontecer, coisas nossas, coisas alheias. Geralmente, chamamos isso de problema, mas um nome também adequado é oportunidade.

Quando acontece, a gente às vezes fica tão assustado que tenta se convencer por a mais b que os detritos são só do outro e as belezas são só nossas. Outras vezes, pode se afastar correndo da beira da praia e deixar o outro se virar sozinho com os resíduos todos, os dele e os nossos. Outras também, inábeis, estabanados, como costumam ser as pessoas que estão começando a aprender a amar, podemos só conseguir revolver os detritos e espalhá-los ainda mais, no afã de resgatar de qualquer jeito a transparência comprometida.

Talvez nesses momentos o gesto mais promissor e generoso possível seja, com toda a calma que soubermos, começar a sair do monólogo esquisito para dialogar a partir do coração. Talvez seja arriscar descobrirmos juntos o que está turvando a água antes que ela se torne mais poluída. E, se o sentimento compartilhado realmente for bacana e precioso para as duas vidas, quem sabe pedir uma para a outra com honestidade: “não desiste de mim.”

(Ana Jácomo)

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...