segunda-feira, 6 de maio de 2013

Da Metamorfose




‘O homem’ num ato vil pode gerar o caos na vida de outrem, mas Deus em Sua infinita benevolência insere no breu das incertezas uma partícula de luz... 

Abre a janela da possibilidade primordial, turva diante dos olhos pela desordem. E na madrugada mais escura, em meio ao mais medonho pesadelo, olhou-me com uma amorosidade superior, e aclarou minha alma com o Seu sol mais luminoso...
Assim... Esgarcei-me pela fresta do casulo e engracei-me com o vislumbre de uma lucidez em meio ao silêncio absurdo de meus pensamentos...
Aspirando a aragem, libei tocar o divino, no arranha-céu de meus desejos e senti o ínfimo humano vagando pela profundidade dos meus abismos.  
Instaurou-se a revolução, em meu intimo criou-se forma o caos, a pandora se apascentou... Fez-me “a estrela dançante” de Nietzsche. Não mais houve noite a partir daquele momento, o crepusculário teve fim, achegou –me às matizes mais vibrantes, regendo o arrebol do coração.
Do ápice de seu fulgor pude sentir-me úmida novamente, um rio cristalino se fez torrente – estou viva, vi-me colorida... Santificada, agora sou a deusa do meu próprio templo! 

(Juliana Alves)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Retomando o fôlego


 
Tu me devoras e me devolves só num olhar...
Não sei se calmaria ou ventania, se quente ou frio,
mas me dá chão e céu, me afundas e me fazes flutuar...
Retomando num beijo,
um fôlego que não cessa,
só continua, continua com(ti)nua...

(Juliana Alves)

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Welcome May




Que Maio se achegue com o seu anunciado frescor de tempo novo ao calor do meu coração, trazendo tudo o que é espiritualmente amplo e profundo para corporificar meu prospecto de sonhos.
Que sob o sereno das noites, minha alma se dispa de suas antigas vestes, assuma suas renovadas cores e ao meu corpo recaia o sol amoroso das auroras...
Permanecendo nus, diáfanos e fulgentes meus ombros, para que neles pousem as borboletas.

(Juliana Alves)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Teus lábios são labirintos...


"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.

Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura.

E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água."

(O Jogo da Amarelinha - Capitulo 7 - Julio Cortázar)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Do que permanece florido



Não sei por que floresceram em meu rosto
os olhos profundos e os versos raros que há em ti.
Floriram por acaso, ao sol da primavera
sem mesmo haver primavera ou sol em mim.
 
Não sei por que, fiquei assim florida: se o orvalho acre os queima
(Ponho as mãos sobre os olhos para os proteger!)
Tão estranho! Jazerem ainda, em minha face,
esses olhos e versos...
Se já é inverno, e não mais os posso ver.


(Juliana Alves - 15/11/12)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Das Bençãos


Mas as bênçãos vêm, vêm pra ressignificar infinitos, fotografar a gênese do abençoado e o que carece de encontros. E do outro lado do reflexo sou eu, que vez quando se refugia dentro das belezas simples, pra beber um cálice do Sol e estreitar horizontes. Eu e esses caminhos, orvalhado de girassóis, hóspede de todos os vocabulários, de ser eu - e poetizar os outros.

(Fernanda Fraga)


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Das datas que ficam entre o chorar e o celebrar...


Um ano se passou, 12 meses, 4 estações...
Nesse tempo fui outono de folhas secas, despindo-me de antigas vestes, me fazendo árida, face salgada das lágrimas evaporadas...
Fui gélida, fenecendo chamas que não mais foram abrasadas... Fechei-me ao calor dos corações amorosos, somente o vago, a opacidade do cinza, me apeteciam. Ergui muralhas pra forjar minha resistência. 

Mas ao poucos vi que uma vida desbotada não é digna, não há como viver em tons pastéis... E primaverei, retomei minhas cores, a alma floriu-se de levezas, abrindo-se as janelas luminosas dos sorrisos sinceros, adornou-se dos sentimentos que me são valiosos...

E enfim veraneei, e nesse momento não sei se celebro a vida, essa incansável ressurgente, ou se deixo-me, por hoje, lavar-me pelas lágrimas vindas de um coração que reconhece as perdas necessárias. Que se dói ainda, mas no fundo sabe que não havia outro caminho, que a vida segue seu curso e depois se explica, nos renascimentos e nas lições aprendidas.

(Juliana Alves)
 

Coração Primaveril

  Das invernais madrugadas não me recordo mais. Senhor dos tempos da ventura despiu-me de toda a névoa, vestiu-me de amanhecer...