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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desejos



Que a vida continue me causando espanto, medo, surpresa e prazer. 
Que meu coração continue pulsando descontrolado dentro de mim, porque nunca foi minha pretensão sentir calada. 
Que o injusto continue me indignando, e que a indignação continue me movendo em busca daquilo que acredito ser certo. 
Que o meu olhar se mantenha aceso. 
Que eu continue tendo efêmeras vontades de desistir, porque sou humana, mas que a fé me mova sempre até o fim. 
Que o caminho árduo nunca me faça ser tentada pelos falsos atalhos. 
Que o pó não se acumule nem na estante, nem no corpo e nem na alma. 
Que, de um jeito ou de outro, a gente consiga viajar: no mapa, nos livros, nos sonhos ou no amor, que é o maior de todos os sonhos. 
Que acaso e destino jamais se confundam, e que a gente continue com o dom bonito de acreditar que nossa história está escrita em algum canto do céu, nas estrelas. 
Que sonhar não se torne, em hipótese alguma, tolice. E o melhor: que nenhum sonho jamais seja proibido. 
Que os planos saiam do papel e nos surpreendam por serem ainda mais bonitos do que pareciam ser quando ocupavam espaço apenas dentro de nós. 
Que a falta de tempo nunca nos impeça de embrulhar os presentes com papel celofane ou fita de cetim, e muito menos de escrever um cartão. 
Que os papéis de carta saiam da gaveta e ganhem letras, redondas ou tortas, que façam sentido quando combinadas com o coração. 
Que o rosto da pessoa amada se torne miragem, não pela beleza do seu contorno, mas pelo quão verdadeiro é aquilo que a preenche. 
Que o encontro nunca deixe de ser a opção mais viável. 
Que o maior confronto nunca deixe de ser o olho no olho. 
Que o amor seja finalmente eleito como o caminho mais curto para a real felicidade. 
Que fazer pedido a uma estrela não seja rotulado como algo cafona. 
Que a gente goste daquilo que vê no espelho, e que não nos permitamos, em momento algum, tornarmo-nos escravos daquilo que gostaríamos de ver nesse espelho. 
Que os dias cinzentos sejam transformados em primavera. 
Que os risos, cada vez mais sinceros e espontâneos, sejam em alto e bom som, sem a menor timidez ou pudor. Aliás, que todo o pudor seja esquecido quando, em questão, estiver o amor verdadeiro. 
Que a gente caiba milimetricamente em um abraço, e que esse abraço nos sirva de esconderijo quando o que está lá fora parecer perigoso demais. 
Que olhar pra trás jamais nos envergonhe. 
Que o amor de cinema continue sendo, no fundo, o sonho de cada um. 
Que declarações sejam feitas sem rodeios. 
Que as verdades sejam ditas. 
E que a vida esteja cada vez mais perto da poesia, até que vida e poesia sejam, por fim, inseparáveis. 
Amém.

(Silvia Prata) 

*In: http://pratasilvia.blogspot.com/

Um comentário:

  1. UFA!!!
    Amei tudo isso que escreveu, mais pura e real verdade... Antes eu adorava escrever frases interessantes e poesias eu amava mesmo...
    Mas a certos momentos na vida q a gente parece esquecer de tudo isso e viver uma monotonia não como se cada dia fosse o ultimo, mas uma rotina cansativa.
    É preciso às vezes de pessoas q abram nossos olhos para a vida!
    Parabéns!
    bjs

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